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Família Pyralidae
A família Pyralidae é constituída por diversas subfamílias de importância econômica, das quais as subfamílias Galleriinae e Phycitinae são as que ocasionam maiores problemas aos grãos e diversos produtos armazenados.
Os adultos são geralmente pequenos, de cor não muito brilhante, antenas bem desenvolvidas, presença de ocelos, palpus labiais retos e curvados sem cerdas laterais. As asas anteriores, em geral, são duas vezes mais largas que as posteriores, com manchas de diversas formas e basicamente com nervuras similares em toda a família. Nas asas posteriores a nervura superior corre ao longo da asa. Geralmente o macho é menor que a fêmea.
Corcyra cephalonica (Stainton) (família Pyralidae e subfamília Galleriinae): os adultos medem de 7 a 13 mm de envergadura, isto é, com as asas estendidas. As asas anteriores são de cor canela-clara, sem manchas visíveis, e as nervuras são ligeiramente mais escuras. As posteriores são pequenas, terminando em uma ponta arredondada, transparente com nervuras muito visíveis e rodeada de uma extremidade com pequenos pêlos. Palpos labiais retos.
Crescem em temperatura de 20 a 32°C e 20 a 80% de umidade relativa. A 18°C o seu desenvolvimento não é completado. A fêmea coloca entre 100 e 200 ovos de forma indiscriminada, sobre superfícies rugosas dos grãos ou produtos armazenados, muros e pisos. A larva é branca, com listras azuladas e verdes. A larva passa por seis ínstares, chegando a atingir 15 mm quando está completamente desenvolvida. Sua presença é detectada por grumos formados por uma teia que adere os grãos; é nesta teia que ela faz seu casulo para a empupação. A pupa mede cerca de 8 mm. Seu ciclo biológico dura aproximadamente seis semanas em condições apropriadas. O adulto tem vida curta, 6 a 22 dias, sendo o macho de vida mais longa.
Como nos outros Lepidópteros, a larva é a causadora de danos. É uma praga primária para o arroz polido e secundária para outros produtos. Também alimenta-se de grãos e farinhas de cereais, cacau, chocolate, frutas secas, tortas e farinhas de oleaginosas, entre outros produtos. É amplamente distribuída, mas é comumente encontrada em regiões tropicais.
Ephestia (Cadra) cautella (Walker): os adultos não apresentam características particulares. As asas anteriores são de cor cinza, com manchas e franjas de cor escura na parte média externa. As posteriores são largas, transparentes, com nervuras claramente visíveis e a nervura superior corre ao longo da asa. As larvas são esbranquiçadas, com pequenos pontos visíveis negros sobre o corpo, o que permite distingui-las das larvas de Plodia interpunctella. Os ovos, de forma globular e brancos, tornam-se alaranjados durante o seu desenvolvimento. A eclosão dos ovos varia de acordo com a temperatura: 17,5 dias a 15°C; 7,4 dias a 20°C; 4,7 dias a 25°C; e 3,4 dias a 30°C e 70% UR. Tanto os ovos como as pupas são afetados pela temperatura; a temperatura-limite inferior é 15°C e a superior, 36°C. As pupas desenvolvem-se, em média, 17,5 dias a 20°C; 8,9 dias a 25°C; e 7 dias a 30°C e 70% UR.
A fêmea deposita cerca de 200 ovos sobre os grãos, os quais caem entre os espaços. A larva desloca-se livremente entre os produtos armazenados, contaminando-os com sua seda e seus dejetos. Durante a pré-pupa, a larva arrasta um fio que cobre a superfície dos grãos. Em condições ótimas de temperatura e umidade relativa seu ciclo biológico dura aproximadamente 25 dias. Adultos vivem cerca de 14 dias. A mortalidade é mais freqüente em larvas de primeiro ínstar que em ovos e pupas. A longevidade de machos e fêmeas varia de 3,1 dias a 35°C e 12,3 dias a 15°C.
É uma praga secundária de grãos de cereais sadios e inteiros; seu desenvolvimento ocorre em grãos já atacados por outros insetos e com alta porcentagem de grãos quebrados e com impurezas. A larva é cinza com cápsula cefálica escura e mede, geralmente, de 1,2 a 1,5 cm de comprimento. As larvas preferem o gérmen. Em farinhas de cereais e outros produtos moídos, constitui uma praga primária tanto pelo dano que ocasiona como pela contaminação de sua seda. Predominam em regiões tropicais a regiões temperadas. Preferem frutos secos, vegetais armazenados, farinhas, grãos, tâmaras, sementes de cacau e nozes.
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Ephestia (Anagasta) kuehniella (Zeller): o adulto é de cabeça pequena e globosa. Mede cerca de 2 cm de envergadura. As asas anteriores são de cor cinza com faixas onduladas negras. As asas posteriores são claras, quase brancas com faixas de pêlos curtos. A fêmea deposita aproximadamente 300 ovos em meio às impurezas dos grãos. A larva é de cor branca ligeiramente rosada com pequenos pontos negros pelo corpo. Mede mais ou menos 12 mm quando totalmente desenvolvida. Seu casulo é de cor café e seu ciclo biológico é de aproximadamente oito a nove semanas, se as condições de temperatura e umidade relativa são apropriadas. O adulto vive em torno de 14 dias e se alimenta de produtos armazenados. É uma praga secundária de grãos e cereais sadios e inteiros. Praga primária de farinha e outros produtos moídos de cereais e oleaginosas. Provocam prejuízos em maquinarias de moinhos. São distribuídas em todo o mundo.
Ephestia elutella (Hübner): os adultos são de cor cinza, medem 16mm de envergadura, e apresentam franjas claras transversais nas asas anteriores. As larvas são parecidas a das outras espécies de Ephestia.
Desenvolvem-se entre 15 e 30°C e 70% UR. Cada fêmea oviposita 150 a 200 ovos, com período de incubação de 4 dias; os adultos vivem de 6 a 7 semanas a 25°C e 70% UR. São de regiões frias e temperadas.
Ephestia figulilella (Gregson): os adultos são pequenos, medem cerca de 1,5 a 2,0 cm, de coloração amarelada com manchas cinzas na borda. As larvas do primeiro ínstar são rosadas e brancas, chegando a medir 1,3 a 1,5 cm quando totalmente desenvolvidas. Seu desenvolvimento ocorre a 30°C e 70 a 90% de UR. Os ovos são ovipositados próximos ao alimento, pois não aderem à superfície, ficam soltos. As fêmeas ovipositam de 0 a 692 ovos. O desenvolvimento de E. figulilella é influenciado tanto pela temperatura como pela umidade, e sua mortalidade ocorre à baixas temperaturas e umidade. Atacam uvas, frutas secas, cacau, chocolate e cereais.
Estão distribuídas em regiões do mediterrâneo e em regiões com clima similar, como Américas e Austrália; foi introduzida na Inglaterra em frutos secos e em frutos de alfarrobeira.
Plodia interpunctella (Hübner): o adulto mede cerca de 18 mm de envergadura e é bem distinto em suas cores; as asas anteriores são de cor amarelada e café, e as posteriores, esbranquiçadas. As larvas, em completo desenvolvimento, chegam a atingir 13 mm de comprimento e sua cor vai do branco amarelado ao verde. Possuem três pares de patas verdadeiras e quatro pares de patas falsas, nos segmentos abdominais 3, 4, 5, e 6. Apresentam pontos negros ao longo do corpo. A fêmea deposita de 100 a 500 ovos isolados e em grupos nos produtos em que ataca. A larva produz um fio de seda onde se acumulam restos de alimentos e excreções. Dentro de silos, seu ataque é superficial; sua ocorrência maior é em sacos de produtos armazenados, gretas e pequenos esconderijos de paredes e pisos das construções. Seu ciclo de vida é de 26 dias a 30°C e 70% UR. Abaixo de 10°C ela não completa o seu desenvolvimento. Sua distribuição é cosmopolita.
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Plodia
interpunctella. (A) ovos; (B)
larva; (C) pupas; e (D) adulto.
(FONTE: htpp://entmuseum9.ucr.edu/ENT133/ebeling/ebeling7.html#sitophilus
granarius).
É uma praga secundária de grãos de cereais sadios e secos. Praga primária de grãos e outros produtos destinados à moagem. Seu controle é difícil, uma vez que entra em diapausa. Apresenta diapausa durante a pré-pupa, no qual consegue sobreviver em períodos de condições adversas de temperatura; o fato de entrar em diapausa é que dificulta o seu controle.
Pyralis farinalis Linnaeus: o adulto mede cerca de 2,5 cm de envergadura; as asas anteriores são metade de cor café e a outra metade de cor clara, com faixas transversais sinuosas e esbranquiçadas, que permitem distingui-los facilmente como pragas de grãos armazenados. A larva é branca, com cabeça e escudo protorácico de cor obscura, medindo aproximadamente 2,5 cm de comprimento. A fêmea deposita em média 250 ovos sobre os produtos que ataca. Seu ciclo biológico é de seis a oito semanas. Os adultos são de vida curta; a fêmea vive aproximadamente uma semana. As larvas tecem tubos de seda envolvendo neles partículas de grãos. Antes de empupar, as larvas tecem outro casulo, abandonando o tubo que produziram inicialmente.
As larvas atacam grãos de cereais e seus produtos, grãos de leguminosas e diversos materiais de origem vegetal, especialmente se estão úmidos e com poucas condições de armazenamento. Durante o seu desenvolvimento podem rasgar o tecido dos sacos, fazendo com que os produtos se esparramem. Aparecem no mundo todo.
O ciclo de vida de Pyralis farinalis foi estudado em uma dieta artificial para Helicoverpa zea (Boddie), em que os ovos tiveram um período de incubação de nove dias. A fêmea teve um período de pré-oviposição de 1,9 dias e, depois de acasaladas, ovipositaram cerca de dois dias. A longevidade dos adultos foi de 10,2 dias para os machos e 9,8 dias para as fêmeas. Tanto os machos de P. farinalis como os de Amyelois tranitella (Walker) foram atraídos por fêmeas de outras espécies e ainda capturados em armadilhas também para outras espécies. Machos de P. farinalis foram encontrados tentando copular com fêmeas de outras espécies. Este tipo de comportamento pode atrapalhar o acasalamento e o sucesso reprodutivo de uma espécie quando ambas são abundantes.
Ephestia sp